terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Mensagem de D. António Marto para o Natal de 2014

 
 
Natal de Cristo: Deus próximo e solidário
A festa do Natal convida-nos a viver sempre de novo, em cada ano, o mistério de graça e de misericórdia que é o nascimento de Jesus, o Salvador. A linguagem que nos fala e aproxima deste mistério no modo mais belo e acessível é a dos símbolos: fala aos olhos, à mente e ao coração, à própria imaginação. O símbolo mais característico é sem dúvida o presépio, rico de significado espiritual e humano. Ele representa plasticamente a novidade e a extraordinária beleza e alegria do mistério de Deus que se fez homem e veio habitar entre nós: a sua  apresentação na ternura encantadora e desarmada dum menino que vem à luz do mundo.
De facto, “o presépio é a expressão da nossa expectativa de que Deus se aproxime de nós, mas também a ação de graças Àquele que decidiu partilhar a nossa condição humana na pobreza e na simplicidade”(Bento XVI). O Deus que contemplamos no presépio é o Deus Amor. Ele veio para nós, para ficar connosco. No meio do bulício e das distrações da quadra natalícia, encontramos um pouco de tempo para saborear e acolher este mistério? Deixamos Deus entrar na nossa vida?
Uma nova fraternidade
A representação do presépio põe ainda diante de nós uma outra valência e vivência muito bela do Natal de Cristo: celebra-se um nascimento que nos faz irmãos. Ao redor do Deus-Menino encontram-se os pobres e os humildes pastores bem como os sábios que são os magos. Fazendo-se homem como nós, Jesus Cristo une-se a cada homem e cria uma comunidade de irmãos para sempre, uma nova fraternidade.
O Natal é a festa de uma grande família que não conhece fronteiras de espaço nem de tempo, uma família sempre a construir, tantos são os muros de divisão que separam os homens e os povos uns dos outros. O nascimento de Cristo é um acontecimento gerador de uma nova cultura do encontro, do acolhimento e da comunhão que experimentamos na (re)união das famílias ou nas ceias de Natal de várias instituições, num espírito de alegria que transborda.
O sonho de Deus é tornar a humanidade uma só família que viva em fraternidade e em paz!
Não há Natal sem solidariedade
 O acolhimento do outro é também o acolhimento de Cristo! Não podemos pois viver o autêntico Natal sem sairmos de nós mesmos e ir ao encontro dos irmãos mais necessitados e sofredores. Não há Natal sem solidariedade.  São necessários gestos concretos e não só palavras sonoras. Estou disposto a um estilo de vida mais sóbrio e solidário, mesmo renunciando a algo legítimo, para partilhar com quem mais precisa?
Um modo concreto de expressar esta solidariedade é-nos oferecida pela iniciativa da Caritas “Um Milhão de Estrelas – Um Gesto pela Paz”, que já tem uma tradição de doze anos. As pessoas e as famílias são convidadas a adquirirem uma vela, pelo preço de um euro, para a acenderem na noite de Natal. 65% do produto final será para projetos sociais das dioceses particularmente voltados para a pobreza infantil e 35% para ajudar as crianças que estão em campos de refugiados no Médio Oriente.
A todos os diocesanos, às famílias e, em particular, aos doentes e a todos os que sofrem, envio os meus cordiais votos de Santo e Fraterno Natal e Feliz Ano de 2015! 
 
† António Marto
Bispo de Leiria/Fátima


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